quarta-feira, julho 27, 2005

As Origens da Blitzkrieg

Os Primórdios

"Estou construindo carros de guerra seguros e cobertos, e quando eles avançarem, com seus canhões, por entre as linhas inimigas, farão recuar até mesmo as mais compactas formações adversárias, e atrás deles a infantaria pode evoluir a salvo e sem oposição".
Leonardo Da vinci, em 1482.

A frase acima resumo todo o desenvolvimento dos blindados feito até agora, sem exceções. É incrível, porém, que um conspícuo conceito, tão simples, porém genial, tenha demorado tanto para ser utilizado. Apenas em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, apareceram os famosos tanques. Á época, todas as potências belingerantes tinham capacidades de desenvolver esse tipo de unidade, no entanto, imaginou-se que não haviam motores fortes o suficiente para impulsionar tão pesadas estruturas. O desenvolvimento empírico das armas acabou determinando, portanto, o nascimento da arma mais letal que um campo de batalha já viu, responsável pela maior revolução tática das Guerras, que inferiu uma revolução na estratégia bélica.

Até a Primeira Guerra, a arma tática móvel passível de fazer a diferença no campo de batalha era o cavalo. Com o aprimoramento das armas - rifles, metralhadoras, etc - essa arma passou a perder eficiência. Um cavalo, no front ocidental, não tinha utilidade alguma. Primeiro, ele deveria transpor trincheiras grandes e cercadas de arames farpados. Feita a tarefa, teria de enfrentar fogo de metralhadoras a posteriormente granadas. Passada essa parte, ele iria avançar contra um trincheira apinhada de soldados armados, que poderiam muito bem, em ínfimos segundos, levantar-se e alvejar o eqüino com qualquer arma de fogo.

Assim, estabeleceu-se a guerra estática. Não havia nenhuma arma capaz de romper esse estado de equilibrio. Desse panorama, temos dois desfechos. Um deles é o alto números de baixa na Primeira Guerra e o outro é o advento dos blindados. A batalha que exemplifica claramente a lógica militar absurda estabelecida, causa das enormes baixas, é Verdun. Durante 9 meses mais de um milhão de soldados morreram. Portanto, o advento de uma nova arma era uma questão de tempo. Já seus efeitos seriam prolongados até 1945, com a Blitzkrieg. Até formar-se o conceito de Guerra Relâmpago, muitas tentativas foram feitas.

A Primeira Blitzkrieg: Sturmtruppen

A primeira experiência de Blitkrieg não foi feita com tanques e sim com tropas especiais, as Sturmtruppen. Os soldados que integravam essa tropa eram a elite do Exército Alemão e somente após um exigente treinamento o soldado ingressava nesses corpos. O propósito dessas tropas era primoradialmente o ataque e a rapidez. O treinamento era focado na iniciativa e na agressividade(em termos táticos) do soldado, tendo ele muito mais responsabilidade e liberdade para agir na frente de batalha. Dessa maneira, a disciplina não era tão trabalhada nessas tropas de elite quanto nas regulares e dava-se muito mais ênfase na cooperação e relação entre os soldados e superiores do que propriamente a inflexibilidade da cadeia hierarquica das tropas comuns. Havia esse treinamento especial porque, ao contrário de um soldado de trincheiras, que era estático, os Sturmtruppen era unidades móveis, bem armadas, rápidas, destinadas a penetrar nas defesas inimigas desorganizá-las por completo, não sendo seu objetivo, portanto, sua destruição física propriamente dita. Tudo, nas Sturmtruppen, era pensado com o intuito de atacar.

O armamento padrão consistia em, no mínimo, uma granada M1915 ou M1916 e a arma primária era o rifle Karabiner 98 (M1898AZ), uma versão compacta do Gewehr 98 (M1898). No entanto, essa arma não atendia totalmente às exigências e foi parcialmente substituída pela Bergman MP18, que usava o calibre 9mm Parabellum, desenvolvida por Hugo Schmiesser especialmente para equipar essas tropas. O armamento secundáro era normalmente uma Luger P08 ou alguma pistola Mauser. A formação mais natural era um pelotão de metralhadoras, um de morteiros e às vezes um pelotão de lança-chamas.

A primeira experiência dessas tropas ocorreu na Rússia, às margens do rio Dvina. Os russos havia bloqueado todas as passagens de acesso ao porto de Riga, uma importante via de acesso marítimo. Com posições sólidas, os Russos comandados pelo General Klembowsky, estavam capazes, inclusive, de desfechar ataques contra as posições alemãs. O General alemão Oscar von Huntier, ao invés de fazer um ataque frontal, fez uso das Sturmtruppen, empregando-as no ataque na retaguarda russa cruzando o rio e atacando por detrás das principais defesas. Os russos não esperavam o ataque por essa área devido à distância e às dificuldades de serem feitas ofensivas através dela. Dessa maneira, com a retaguarda comprometida, os ataques alemães posteriores feitos às defesas principais dos russos foram eficazes.

A batalha por Riga provou a eficácia das Sturmtruppen, mas no geral seu uso foi comprometido exatamente pela falta da espinha dorsal da guerra relâmpago: o tanque. Essas tropas foram eficientes no seu serviço, mas qualquer contra-ataque ou reorganização inimiga botava em cheque as conquistas realizadas por essas tropas. Faltava, portanto, um elemento de apoio aproximado que consolidasse os avanços feitos por essas unidades de vanguarda. As consequências disso seriam sentidas muito depois, quando o desenvolvimento da Blitzkrieg alemã no pós-guerra iria usar, além dos ensinamentos de Fuller, as lições aprendidas com os sucessos e fracassos das Sturmtruppen. Na blitzkrieg moderna, os tanques fariam o papel das Sturmtruppen e elas, por usa vez, fariam o papel de infantaria motorizada.

A Blitzkrieg blindada

O conceito de Blitzkrieg blindada teve caminhos diferentes. Ele inicou-se em 1916, quando 476 tanques britânicos Mark I foram usados na ofensiva de Cambrai. Inicialmente, a ofensiva foi um sucesso, deixando as defesas alemãs impotentes para reagir. No entanto, dias depois, uma nova ofensiva alemã retomou todo o terreno conquistado. Com esse sucesso parcial, os uso dos tanques passou a ser considerado, mas sempre com reserva pelos comandantes aliados mais antigos.

Mark I, primeiro tanque inglês
A despeito da desconfiança sobre os tanques, a Triplice Entente começou a organizar o Plano 1919, encabeçado por Fuller. Esse plano teria como estratégia desfechar golpes rápidos e sucessivos, para desorganizar por completo as defesas adversárias. Várias levas de tanques seriam utilizados, desde os mais pesados, para romper as defesas iniciais, até os mais rápidos, que entrariam em cena para dar prosseguimento à perseguição das tropas remanescentes, mantendo o estado de desorganização do adversário, para que ele não estivesse capaz de estabelecer nenhuma defesa ou desfechar algum contra-ataque. Nesse ataque seriam usados mais de 6000 tanques. No entanto, o Plano 1919 não aconteceu devido a precoce rendiçao alemã. O esforço tático e os estudos de campo foram deixados de lado, e à medida que se passavam os anos, os orçamentos de guerra e a atenção ao Exército iam diminuindo. Os Aliados nunca chegaram vislumbrar o grande poder que tinham em mãos. Ignorada essa experiência, os Aliados só iam vê-la 23 anos depois, quando os alemães estariam usando-a na França. Nela estariam contido todos os ensinamentos de 1919 e décadas de aprimoramento, tudo isso tutelado por livros de guerra ingleses e russos, que eram leitura obrigatória nas escolas de oficiais alemães.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo Disse...

"Belingerantes"?Não,o correcto é;beligerantes.

2:25 AM  

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