domingo, julho 24, 2005

O Bombardeio de Dresden

Formato .pdf

O ataque aéreo à Dresden, ocorrido em 13 a 15 de fevereiro de 1945, foi um devastador ataque desferido em conjunto pela USAAF e RAF, onde foram empregadas bombas incendiárias que destruíram quase toda a cidade e suas instalações.
A grande polêmica desse ataque trata-se de seu enquadramento em crime de guerra ou não. Antes de se discutir o mérito das informações, razões e fatos que existem a respeito, é necessário precisar sob qual ponto se está considerando o ataque à Dresden. Listo-os:

* Ponto de vista estritamente legal, desconsiderando demais fatores.
* Ponto de vista legal em relação ás leis aplicadas nos Tribunais de Nuremberg, ou seja, a aplicação nos aliados das mesmas leis que foram aplicadas nos alemães em Nuremberg.
* Ponto de vista moral e politicamente correto, considerando demais fatores, como bom senso, discernimento, violência excessiva, etc.

A diferença sobre qual ponto de vista se está analisando o fato é crucial para determinar se foi um crime ou não. Não existe, por exemplo, impedimento de um ataque ser correto sob o ponto de vista estritamente legal, mas ser considerado criminoso no lado moral. As leis nem sempre contemplam especificamente todas as hipóteses de guerra e mesmo que o façam, ainda sim podem ser submetidas ao bom senso, que visa analisar o contexto e a situação corrente para determinar se uma ação foi um crime ou não. Embora as leis sejam um tanto inflexíveis, elas regulam o comportamento de guerra e são importantíssimas para evitar abusos e excessos por parte de ambos os lados, tanto sobre a forma institucional, quando um Estado passa a cometer excessos sob a forma de ordens, quanto sobre a forma individual, quando um soldado, por vontade pessoal, venha a agir com crueldade desnecessária. Não quero, aqui, delongar-me sobre preâmbulos das leis de guerra e sim estabelecer uma linha consensual de raciocínio a respeito dos crimes de guerra e suas aplicações no episódio de Dresden. Após a exposição da maior parte dos fatos, retorno novamente aos pontos de vistas inicialmente abordados para então falar a respeito do ataque.
Compilei, ao longo de muitas discussões, os principais argumentos dos que consideram o ataque um crime e adicionei alguns outros que também podem vir a ser questões abordadas. Junto com a sentença, vem a minha opinião, logo abaixo.

1) Dresden era uma cidade sem importância estratégica:

Em 1945, Dresden era a sétima maior cidade alemã em população¹, com 642.143 habitantes². Era, também, um importantíssimo eixo ferroviário³, por onde passava a famosa ferrovia Berlim-Leipzig-Dresden-Praga. Essa ferrovia foi a primeira linha de longa distância da Alemanha e crucial para a unificação alemã, em 187(14). Na Segunda Guerra, milhares de judeus por seus trilhos5, bem como uma quantidade incalculável de armas e suprimentos militares. Dresden era o ponto-chave para o fluxo militar Leste-Oeste. Após os bombardeios, as instalações ferroviárias foram seriamente danificadas e perderam muito de sua capacidade.
Dresden era, também, o entroncamento de três grandes rotas de transporte e comunicação: (1) Berlin-Praga-Viena (2) Munique-Breslau e (3) Hamburgo-Leipzig. Como ponto chave de comunicação no denso complexo de transporte da Saxônia, Dresden era conectada diretamente a Leipzig e Berlim por duas linhas ferroviárias6.

2) Dresden era uma cidade indefesa:

Dresden possuía defesas antiaéreas, embora elas estivessem em pequeno número e praticamente não causaram dano algum aos bombardeios atacantes. Os reportes de vôo ingleses registraram pouca atividade defensiva.
O sistema de defesa de Dresden estava subordinado ao Comando Administrativo da Luftwaffe7, fazendo parte da IV Área (Dresden) e III Área (Berlim)(8).

O fato de Dresden ter poucas defesas antiaéreas não lhe retira o status de alvo legitimo, pois ela não era uma Cidade Livre* e tinha indústrias que produziam artefatos imprescindíveis ao desenvolvimento e produção de armas de guerra.

* O termo Cidade Livre vem do equivalente em inglês Open City; a tradução literal não teria o mesmo sentido que possui no inglês, portanto adota-se a adjetivo livre, ao invés de aberto. Uma cidade é declarada livre quando ela não possui nenhum tipo de instalação ou tropa militar. Os alemães nunca fizeram tal declaração em relação a Dresden.

3) Dresden não possuía indústrias:

De acordo com Escritório de Armas do Alto Comando Alemão, Dresden continha 127 fábricas. Elas produziam produtos como miras ópticas para bombardeios, canopis, componentes eletrônicos para radares, fábrica de fusíveis, componentes de aeronaves para a Junkers, equipamentos do cockpit de Messerchmitts, máscaras de gás que supriam quase toda a Alemanha e fábrica de cigarros. O parque fabril de Dresden empregava 10.000 trabalhadores, sendo 1500 nas fábricas de fusíveis9.
O livro do ano de Dresden (Dresdner Jahrbuch) de 1942, ou seja, uma publicação alemã de tempo de guerra, faz a seguinte descrição de Dresden:

Anyone who knows Dresden only as a cultural city, with its immortal architectural monuments and unique landscape environment, would rightly be very surprised to be made aware of the extensive and versatile industrial activity, with all its varied ramifications, that make Dresden one of the foremost industrial locations of the Reich.

Qualquer um que conheça Dresden somente como uma cidade cultural, com sua imortal arquitetura de monumentos e paisagem ímpar, certamente ficaria surpreso ao ficar sabendo da extensa e versátil atividade industrial, com todas suas ramificações, o que faz Dresden uma das mais proeminentes alocações industriais do Reich.
(grifos meus)

John W. Nelson, Ph.D. em Estudos sobre a Alemanha, escreveu a seguinte frase, em uma análise do livro Dresden: Tuesday, February 13, 1945, de Frederick Taylor:

As the seventh largest city in Germany, Dresden possessed a substantial industrial center with a number of precision engineering companies (the Zeiss-Ikon optical factory being perhaps the most well-known.) The city's reputation may have been built on its luxury industries, but Taylor reveals how the same factories that produced the typewriters, sewing machines, lingerie, cigarettes, and waffle irons easily made the wartime transition to produce searchlights, directional guidance equipment, aircraft and torpedo parts, machine guns, cartridge cases, and various other armaments. Cultural city or not, the Dresdeners' contribution to the German war effort was not insignificant. As Taylor notes, the 1942 Dresden Yearbook trumpeted the city's stature as "one of the foremost industrial locations of the Reich.

Como sétima maior cidade Alemã, Dresden possuía um centro industrial formidável, com inúmeras companhias de engenharia (fábrica de aparelhos ópticos Zeiss-Ikon , talvez a mais conhecida). A reputação da cidade talvez tenha sido construída sobre suas indústrias de luxo, mas Taylor revela como as mesmas fábricas que produziam máquinas de escrever e de costurar, lingerie, cigarros e barras de ferro facilmente passaram a produzir canhões de luz, guindastes, aeronaves, componentes de torpedos, metralhadoras, cartuchos e vários outros armamentos. Sendo uma cidade cultural ou não, a contribuição de Dresden e seus habitantes ao esforço de guerra não foi insignificante. Como Taylor cita, o Livro do Ano de Dresden de 1942 afirmava ser a cidade “uma das mais proeminentes alocações industriais do Reich.


4) Dresden tinha milhares de refugiados quando foi atacada

Não existem números certos em relação à quantidade de refugiados quando foi atacada. Dresden era apenas um entreposto ferroviário, onde muitos refugiados passavam, indo em direção ao oeste, mas não necessariamente ali permanecendo.

5) O bombardeio de Dresden foi desnecessário pois a guerra já estava ganha.

Dois meses antes de Dresden ser atacada, em 17 de dezembro de 1944, os alemães haviam iniciado a ofensiva nas Ardenas com aproximadamente 250.000 soldados(10), totalizando 70 divisões, 15 delas blindadas(11), causando 76.000 baixas aliadas(12) (8607 mortos, 47.139 feridos, 21.144 prisioneiros e desaparecidos), bem como a destruição e ou captura de 1284 metralhadoras, 542 morteiros, 1344 caminhões e 237 veículos de combate(13). No dia 3 da janeiro, a Luftwaffe, num esforço derradeiro, atacou aeródromos aliados com 700 aviões, causando a perda aos aliados de 156 aeronaves(14).
Esse ataque foi um duro golpe nas tropas americanas e nos seus comandantes, aumentando ainda mais o pessimismo e a cautela nas operações. Por acreditar que a Alemanha não era mais capaz de reagir, negligenciaram as defesas prevendo possíveis ataques alemães.

6) Milhares de pessoas morreram no ataque à Dresden

Não existe um número preciso de mortes, mas estimativas baseadas em relatórios emitidos pelos próprios alemães dão uma idéia aproximada desse número. Existem dois relatórios oficiais emitidos pelos alemães semanas depois do ataque:

- Relatório policial de Dresden, emitido em 15 de março de 1945, confirmou, até o dia 10 do mesmo mês, 18.375 mortes.
- Relatório das autoridades berlinenses (Tagesbefehl n. 47) emitido em 22 de março de 1945, acusou 20.204 mortes e estabeleceu o número de 25.000 mortes como estimativa final.

Recontagens feitas por historiadores conceituados (Götz Bergander - 1977, Friedrich Reichert – 1994, Frederick Taylor - 2004) trabalham na hipótese de 25.000 até, no máximo, 35.000 vítimas, uma vez que foram descobertos novos corpos anos depois do ataque, a maioria em escavações para novas construções.
Existe, no entanto, uma falsa estimativa que aponta as mortes de 35.000 a 135.000 pessoas, o que é, no mínimo, fantasioso. O principal artífice desses números é David Irving, um historiador revisionista condenado pela justiça americana.
Ele se baseia numa falsificação da Ordem do Dia (Tagesbefehl n. 47), onde foi acrescentado um zero no fim das estimativas, elevando seu número para cifras enormes. O TB 47 original apontava 20.204 mortes e deixava em estimativa máxima 25.000 mortos; com a falsificação esses números se elevaram para 202.040, com o número máximo de 250.000.
A prova desses números foi no julgamento(15) onde David Irving processou Deborah Lipstadt e sua editora, a Pinguin Books. Ltda., por calúnia. Como no mérito das acusações estavam inclusas as obras de Irving e a veracidade histórica do bombardeio de Dresden, todas elas foram analisadas e numa apuração mais detalhada provou-se que David Irving, além de se basear em documentos que ele sabia que eram falsificados, usava passagem de livros modificadas e notas de rodapé que não representavam o real sentido que o autor citado havia expressado.
Outro fator que somou contra Irving foram os dados conflitantes a respeito do número de mortes. Segundo Richard J. Evans, professor de História Moderna de Cambridge, Irving não possui uma cifra exata a respeito das vítimas em Dresden. Na primeira edição do livro Apocalipse 1945 - A Destruição de Dresden, de 1966(16), estimou entre 100.000 e 250.000 mortes. Em 1993, em um vídeo destinado ao público australiano, Irving estimou em aproximadamente 130.000 mortes. Em 1996, em um livro sobre Goebbels(17), ele alterou novamente os números, que ficariam entre 60.000 e 100.000 mortes.
É notável, portanto, a inconstância de David Irving em apresentar números plausíveis e prová-los através de documentos e testemunhos. A má fé e a falsificação de documentos e provas históricas não foi só averiguada no assunto Dresden e sim em outros livros, a maioria relativizando ou até negando o Holocausto, em exercício espúrio de pseudorevisionismo histórico.
Por fim, há uma ultima alegação a respeito de um número alto de vítimas. Como o ataque havia sido com bombas incendiárias, corpos teriam sido carbonizados até virarem cinzas, tornando a contagem impossível. Isso foi desconsiderado por opiniões de peritos que seriam necessárias temperaturas absurdas e principalmente concentradas nos corpos, como em um forno de cremação, situação essa inexistente em Dresden.

7) O bombardeio de Dresden foi um crime, de acordo com as leis aplicadas nos alemães em Nuremberg, em 1946.

Em todos os tribunais estabelecidos depois da guerra que julgaram crimes de guerra, somente dois pilotos alemães foram condenados por ataques aéreos. O principal motivo foi ter bombardeado Belgrado após ela ter sido considerada uma Cidade Livre. Portanto, como Dresden não era uma cidade livre, não há nenhum dispositivo legal capaz de incriminar os aliados pelo ataque.
A implicação de Dresden em crime de guerra tornaria todos os bombardeios alemães contra cidades inglesas lotadas de civis também criminosos, uma vez que o Alto Comando da Luftwaffe(OKL) e Hitler tinham em mente – e botaram em prática – planos para abalar a moral do povo alemão disseminando o terror na população civil(18,19).

8) Os aliados lançaram combustível sobre a cidade para alimentar os incêndios.

Não há nenhuma menção nos relatórios aliados sobre essa prática. No entanto, a própria lógica desmente essa afirmação, pois seria totalmente inviável e ineficiente tal prática.

9) Caças aliados realizaram ataques à baixa altura contra civis.

Essa afirmação é sustentada por David Irving, mas tanto suas alegações quanto a lógica desmentem a sentença. Essa questão foi levantada devido ao testemunho de poucas pessoas que foram entrevistadas por Irving, sendo que uma delas alega ter visto um caça aliado “apontar” suas armas em direção a civis e atirado. Entrevistada depois, essa mesma testemunha alegou estar inconsciente no momento do ataque e que afirmou isso baseada em um relato feito por um amigo vitimado no ataque.
Nas pesquisas para o livro Apocalipse 1945 – A Destruição de Dresden, Irving alega ter entrevistado mais de trezentos aviadores aliados. Em todos esses questionamentos, ele, em nenhum momento, fez o cruzamento de relatos e perguntou aos pilotos se realmente haviam ocorrido ataques à baixa altura contra civis.
É estranho, também, que a testemunha tenha visto o caça “apontar” suas armas, visto que no setor haviam só dois tipos de caças, Mosquito e Mustang, e nenhum deles possuía torretas de defesa, que poderiam “apontar” armas a um determinado alvo. Para tais caças realizarem ataques à civis, eles deveriam mergulhar contra civis e atirar, sem, no entanto, “apontar” armas, visto que elas estão sobre a fuselagem.
Sob a explosão de bombas e fortíssimos incêndios, provavelmente tomado pelo desespero, é inconcebível que alguém tivesse tempo para olhar para o céu e conseguir visualizar uma aeronave à mais de 600 quilômetros horários em mergulho e ainda assim perceber sua trajetória para chegar a conclusão de que as mesmas estavam “apontando” armas ou mirando em civis.
Além disso, os Mosquitos utilizados no ataque à Dresden tinham como função sinalizar os alvos e nessa função ficariam engajados, sem ter tempo para metralhar civis indefesos. Já os Mustangs envolvidos no ataque estavam realizando escolta à altas altitudes, e para atacar civis, deveriam descer em espiral sobre o alvo, realizar os ataques e então subir novamente ao nível de vôo anterior para depois retornar às suas bases. Para tal manobra simplesmente não haveria combustível suficiente.
Embora essa alegação seja improcedente, a lógica novamente a desmente. É totalmente impensável que tais manobras tenham sido feitas. Mosquitos e Mustangs são aeronaves de alto desempenho e não foram projetadas para mergulhos, embora sejam capazes da fazê-o. Manobras de mergulho são arriscadíssimas e nas condições de Dresden nenhum comandante arriscaria aeronaves e valiosas tripulações sobre alvos de oportunidade. Os caças Mustang e Mosquito atuaram como, respectivasmente, caça de escolta e sinalizador e não teriam tempo hábil para efetuar tais ataques.

10) Churchill condenou o bombardeio de Dresden.

Churchill nunca considerou Dresden um crime de guerra. Sua posição foi simples e concisa e representou uma opinião pessoal, a de que, com o fim da guerra, estava na hora de rever as posições adotadas pelos aliados em relação a Alemanha. Isso não deixa de embutir uma contradição, pois foi Churchill o principal incentivador dos ataques aéreos contra a Alemanha, inclusive na adoção da tática de bombardeio de área.

11) A Estratégia dos aliados era vitimar civis alemães.

Os aliados tinham ciência de que vitimar a população civil não ajudaria em nada o esforço de guerra e antes de efetuar tal prática, estavam focados em destruir as estruturas de transporte e comunicação da Alemanha, antes mesmo das indústrias bélicas.

12) Os principais documentos a respeito do bombardeio de Dresden foram emitidos pelos governos aliados, representando assim a versão oficial dada sobre a guerra, sujeita às devidas pressões e alterações que tais governos podem, eventualmente, vir a fazer para satisfazer seus interesses.

Existem documentos oficiais do governo alemão em tempo de guerra que comprovam os dados aqui apontados. Embora todo o tipo de informação esteja sujeita à pressões de terceiros, o mesmo vale para os dados que apontam Dresden como um crime de guerra. A suspeita é recíproca.

13) Se Dresden não é um crime, então os bombardeios alemães às cidades inglesas também não foram.

Sim, pois não havia, à época, nenhuma lei internacional sobre a guerra aérea nem experiências anteriores. O bombardeio à cidades com alvos civis foi uma opção tomada pelos dois lados. A Alemanha teve mais vítimas e sofreu mais porque ficou vulnerável aos ataques aéreos a partir de 1944, quando a eficiência dos bombardeios era enorme em relação a 1940, e à época da Batalha da Inglaterra, quando a superioridade era da Luftwaffe.

14) Pessoas notáveis consideram o ataque à Dresden um crime de guerra.

Grande parte dessas pessoas se baseiam, ás vezes sem saber, nas informações de David Irving. Como foi demonstrado aqui, esse individuo já foi condenado pela justiça americana e seu livro foi, diversas vezes, contestado e rebatido por outros historiadores (Taylor, Neilands, Reichert, Evans, Bergander, etc).
Portanto, muitos consideram o ataque a Dresden um crime de guerra porque não têm conhecimento completo dos fatos ou se os têm, ignoram-no e continuam com as mesmas alegações. Grande parte dessas pessoas considera Irving totalmente certo, em detrimento de outros historiadores, muito mais sérios e responsáveis, com pesquisas muito mais extensas e rigorosas que a de David Irving.


Conclusões

O ataque à Dresden é uma discussão envolvida de mitos que nada ajudam para esclarecer o assunto. Além disso, considerar Dresden um crime de guerra serve de embasamento para várias ideologias.
Nazistas e revisionistas têm esse interesse como forma de relativizar crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como o Holocausto e demais arbitrariedades cometidas pelos nazistas, retirando-lhes a culpa.
Por outro lado, foi bastante comum, durante a Guerra Fria, o bloco comunista disseminar mitos a respeito de Dresden para demonstrar que os aliados tiveram uma participação espúria na Segunda Guerra e que também haviam cometido crimes de guerra.
Mesmo que o ataque a Dresden não seja um crime de guerra sob nenhum aspecto legal, há o aspecto moral, que é mais subjetivo e sujeito a meras opiniões. Nada impede de considerar o bombardeio um episódio horrível e lamentável; isso é consenso, afinal, 25.000 mortes, ou seja, o número mínimo, é um número altíssimo. Dresden foi um fato lamentável, mas não um crime de guerra. Existiram tantos outros e nenhum deles é citado, como o bombardeio de Guernica ou o ataque a Franpol, um vilarejo de 3.000 habitantes que simplesmente foi dizimando pela Lutfwaffe, que estava testando novas armas.
No entanto, as análises dos ataques aéreos (e de todo e qualquer fato histórico) não devem ser feitas de forma emotiva, e sim da maneira mais racional e imparcial possível, deixando convicções pré-estabelecidas de lado.


Autor
Guilherme Spader

Notas
1. Censo de 17 de maio de 1939, reportado no Statesman's Year Book, Londres, 1945
2. Statistisches Handbuch von Deutschland: 1928-1944 (Livro Alemão de Estatísticas: 1928-1944), Munique, 1949, p. 19.
3. The Leipzig-Dresden railway line through time (Ferrovia Leipzig Dresden através do tempo), John Lance, 1998, p. 17.
4. The Leipzig-Dresden railway line through time (Ferrovia Leipzig Dresden através do tempo), John Lance, 1998, p. 14.
5. The Leipzig-Dresden railway line through time (Ferrovia Leipzig Dresden através do tempo), John Lance, 1998, p. 17.
6. Chambers Enciclopédia, Nova Iorque, 1950, Vol. IV, p. 636.
7. Centro Histórico da Força Aérea Alemã, Análise Histórica do Bombardeio de Dresden, 1953.
8. Serviço Secreto Britânico, T-3472, Alemanha: Condições aéreas em Dresden, 6 de abril de 1945.
9. NEILANDS, Robin. The Bomber War, 23 de junho de 2001.
10. BALDWIN, Hanson W. Batalhas Ganhas e Perdidas. Rio de Janeiro, 1978, p. 428.
11. CHURCHILL, Winston Spencer. Memórias da Segunda Guerra Mundial. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1995, p. 1016
12. BALDWIN, Hanson W. Batalhas Ganhas e Perdidas. Biblioteca do Exército. Rio de Janeiro, 1978, p. 417.
13. BALDWIN, Hanson W. Batalhas Ganhas e Perdidas. Biblioteca do Exército. Rio de Janeiro, 1978, p. 417.
14. BALDWIN, Hanson W. Batalhas Ganhas e Perdidas. Biblioteca do Exército. Rio de Janeiro, 1978, p. 416.
15. Irving x Lipstadt - www.holocaustdenialontrial.com
16. IRVING, David. A Destruição de Dresden. Corgi, London, 1966.
17. IRVING, David. The Mastermind of the Third Reich. Focal Point Publications. 1996.
18. “Reservo-me decidir sobre os ataques de terror como meio de represálias” Diretiva n.º 17 para se conduzir a Guerra Aérea e Naval contra a Inglaterra, Item IV apud Ascenção e Queda do Terceiro Reich. SHIRER, Willian L. Shirer. Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1964, p. 217, vol III.
19. “Juntamente com a propaganda e ataques periódicos para implantar o terror, enunciados como represaria, esse crescente enfraquecimento de bases de abastecimento de alimentos paralisará e dobrará finalmente a vontade do povo em querer resistir, e com isso forçará o governo a capitular. General Jodl, em seu diário apud Ascenção e Queda do Terceiro Reich. SHIRER, Willian L. Shirer. Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1964, p. 209, vol III.

Bibliografia
CHURCHILL, Winston Spencer. Memórias da Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro, 1995, Editora Nova Fronteira.
VICENTINI, Cláudio. História Geral. São Paulo, 1997, Editora Scipione.
BALDWIN, Hanson W. Batalhas Ganhas e Perdidas. Rio de Janeiro, 1978, Biblioteca do Exército.
LANCE, John. The Leipzig-Dresden railway line through time. Londres, 1998.
IRVING, David. The Mastermind of the Third Reich. Londres, 1996. Focal Point Publications.
IRVING, David. A Destruição de Dresden. Corgi, London, 1966
Irving x Lipstadt - Holocaust Denial On Trial

8 Comentários:

Anonymous Anônimo Disse...

Parabens !

Eu, sinceramente, só conhecia o episódio como realmente uma carnificina (não importa se de 25000 ou 125000 mortos) e continuo achando que foi um ato terrivel, por mais justificativas que houvesse.

Li o livro "O Diario de Victor Kmplerer" inteiro, é de um judeu (casado com uma alemã) que morava em Dresden e relata com muitos detalhes os 6 anos da Guerra e o ataque final... a descrição dele do que ele viu na estação ferroviária que estava lotada de mulheres e crianças e foi bombardeada... é de arrancar lágrimas do mais enrustido...

8:49 PM  
Anonymous João Henrique Disse...

"A implicação de Dresden em crime de guerra tornaria todos os bombardeios alemães contra cidades inglesas lotadas de civis também criminosos, uma vez que o Alto Comando da Luftwaffe(OKL) e Hitler tinham em mente – e botaram em prática – planos para abalar a moral do povo alemão disseminando o terror na população civil"


Mas acontece que os alemães pagaram pelos crimes, e os aliados não...

9:36 AM  
Anonymous Thômaz Disse...

Meu avô estava a 30km de Dresden e a claridade do bombardeio era tanta que era possível ler um jornal... A cidade estava repleta de refugiados vindos do leste, boa parte dos mais de 1 milhão de civis desaparecidos da região da Silésia...

5:40 PM  
Anonymous jorge a. freitas Disse...

Será que o ilustre autor já analisou os testemunhos dos que disem ter visto gaseamentos em campos de concentração? Tal como desmentiu os fatos do bombardeio de dresdem,creio que será capais de dismitificar muitos fatos,verdadeiros absurdos, relatados pór "testemunhas oculares".
Justrificar os aliados,é fácil.Na verdade os dois lados eram guerreiros frios,onde a guerra é elemento normal,talves até esportivo.Todos os lideris tanto de um lado como de outro cometeram crimes.Não ha santinhos, todos eram carniceiros,covardes que causaram a mair desgraça de todos os tempos a Humanidade.Aliados e Nazistas: Nenhum deles, em seus líderes valia nada. Devem estar todos,todos ardendo no inferno omde é o lugar poe excelencia para todos eles jorge a . freitas

2:49 PM  
Blogger Beatriz Disse...

Aos que dizem que os alemães pagaram por seus crimes e os aliados não. É uma informação falsa, uma pequena minoria de líderes alemães foram a julgamento e alguns ainda foram inocentados ou condenados a penas branda de 10 ou 15 anos,inclusive a adorável "Ilise koch " que foi libertada pelo tribunal internacional poucos anos depois de sua condenação sendo novamente presa, desta vez pela justiça alemã, para nunca mais sair . A segunda guerra foi un dos ultimos exemplos de embate entre o bem e o mal , maniqueísmo a parte,quem ja leu os relatórios do OKW sobre os planos de ocupação da Inglaterra sabe bem que o destino traçado pelos alemães era a aniquilação total da população da ilha. A Alemanha nazista não tinha o menor respeito pela vida humana tinha que ser detida a qualquer custo.

8:11 AM  
Anonymous Antônio Azambuja Disse...

Meu filho, não escreva sobre o que você nem ao menos folheou. Uma bibliografia como a a que você supostamente leu não lhe daria uma idéia tão errônea sobre o bombardeio de Dresden. Fico chocado com o poder das palavra em pessoas sem o mínimo conhecimento da questão. Você conseguiu que um leitor incauto lhe desse até "parabéns"... Numa hora dessas e que sinto que minhas tantas horas de estudo nos EUA e na Inglaterra (para concluir meu pós-doutorado) especificamente sobre esse tema não são lá tão úteis aqui no Brasil... Lamentável.

9:02 PM  
Blogger Esron Disse...

Só quem mata mais é quem vence uma guerra. É hipocrisia dar uma de santinho e classificar o derrotado de genocida. Fica fácil fazer a propaganda que quizer e expor justificativas diversas aos seus crimes de guerra, pois detem o poder e a força. Principalmente os meios de comunicação e formadores de opinião. Genocida maior é quem vence uma guerra. Enquanto o ser humano usar a guerra como meio de chegar aos seus obgetivos, continuará sendo um animal irracional sem evolução.

8:17 AM  
Anonymous Anônimo Disse...

eu ia escrever alguma coisa mas o antonio azambuja ja o fez. aos 65 anos estas coisas começam a encher meu saco.hiroshima nagasaki provam que os anglo saxoes nao estavam brincando.como dizia meu pai...quem ganha a guerra escreve a historia.passei meio seculo lendo sobre esta maldita guerra e aparece um meia soda pra azucrinar o sono.jorge feldmann

3:17 PM  

Postar um comentário

<< Home