sábado, agosto 20, 2005

Os Vencedores da Guerra

O grande historiador Décio Freitas, já falecido(e faz falta!), escreveu certa vez um artigo na Zero Hora sobre o desfecho da Segunda Guerra, que é bem interessante sobre a maneira que ele argumentou. Até hoje me penitencio por não ter guardado esse texto.

Primeiro deve-se atentar para dois tipos de vitória, a militar e a econômica.

Da Segunga Guerra, o único vencedor, nesses dois aspectos, segundo Décio Freitas, foram realmente os EUA.

URSS venceu militarmente, mas após o conflito se viu forçada a combater na Guerra Fria, o que ela não tinha condições. O resultado foi a derrota que, embora tenha demorado a acontecer, já tinha um final certo.

Alemanha, a grande perdedora militar, teve um espantoso crescimento no pós-guerra e seu PIB ultrapassou os valores antes da guerra em aproximadamente vinte anos. Não demorou muito a se tornar novamente uma potência européia.

Com o Japão foi diferente. Bastaram 10 anos e seu PIB já se equipavarava ao que ele era em 1941, sem contar que á essa data ele já era uma potência econômica de respeito. Cabe salientar que em 45 o Japão tinha duas cidades dizimadas e uma população de 80 milhões de habitantes passando fome, sem nenhuma perpesctiva de poder abastecê-la com a produção interna.

Da França pode-se dizer que ela perdeu duplamente, pois se viu ocupada militarmente e depois libertada por terceiros. Enfraquecida, começou a perder suas colônias além mar e ver sua influência na geopolítica diminuir drásticamente. Os fiascos na Indochina e Argélia só provam que embora os franceses tenham tentado, não conseguiram manter seus domínios.

A Inglaterra, vencedora no campo militar, também não se saiu bem no pós-guerra. Seriamente abalada pelos gastos da guerra, teve ainda que arcar com os custos de uma forte ocupação militar na Alemanha, bem como manter sua poderosa força militar permanentemente ativada, o que representou sucessivos déficits nas suas contas. Embora o Império Britânico estivesse já em declínio ao início da Segunda Guerra, esse conflito marca definitivamente o fim de seu longo reinado, posição essa conscientemente passada aos EUA em nome da própria sobrevivência.

Há uma certa lógica em toda essa análise.

Os países derrotadas viraram uma espécie de campo de batalha ideológico entre Comunismo e Capitalismo, onde valia a influência geopolítica. Os americanos derramaram dinheiro nos países derrotados por muitos motivos, mas o principal deles era tornar esses países fortes e independentes para que não sucumbissem ao comunismo, como já estava acontecendo com os países da Cortina de Ferro.

Já aos países vencedores, não havia essa necessidade, de maneira que seguiram a seus próprios pés e só se reergueram mais tarde, com muito custo.

Enfim, soa irônico, mas os vencedores do pós-guerra foram aqueles derrotados militarmente; e como dizem alguns radicais anti-americanos, "humilhados".

Quem dera ser assim humilhado.

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