quinta-feira, setembro 29, 2005

Desarmamento

Assisti ontem a uma palestra entre Dempsey Magaldi(contra) e Marcos Rolim(á favor).

Magaldi é delegado, dono de uma das maiores escolas de tiro do país e consultor na área de segurança pública.

Marcos Rolim foi ex-deputado estadual pelo PT que não conseguiu se reeleger. Viveu um ano na Inglaterra estudando o desarmamento naquele país.

No debate, em termos de fluência, Rolim se saiu melhor, até porque tem toda aquela lábia de político. No entanto, nos argumentos, Magaldi - ainda que de forma um pouco trancada - conseguiu mostrar os embustes que vem nesse referendo.

O incrível disso tudo é que Rolim, ao longo da palestra, não disse que o desarmamento tem como função principal diminuir a violência e sim para evitar mortes que estão fora da esfera da criminalidade, como acidentes domésticos, ações precipitadas, etc.

O problema do Marcos Rolim é que ele põe a culpa na sociedade em geral por algo que é de atribuição do Estado e de políticos como ele.

Por exemplo, reagir a um assalto é perigoso. Não reagir também é. O problema não está em reagir e sim em ser assaltado e estar sob a mira de um delinqüente.

Armas de fogo em casa causam acidentes, principalmente com crianças. Carros também. Fogões também. Facas, muito mais. Pela lógica do Rolim, pais armados singificam filhos mortos em casa.

Outro argumento banal que Rolim afirmou é dizer que, em situações de stress e enfrentamento, pessoas armadas tendem a usar sua arma de maneira precipitada. Segundo Rolim, os brasileiros todos são uns javalis descontrolados que, na primeira incomodação ou discussão, fuzilam o desafeto sem perdão.

Por fim, ele mostrou dados de países como Inglaterra, Japão e Canadá - por sinal, países bem parecidos com o Brasil - para demonstrar que o desarmamento funciona.

Infelizmente, o Magaldi não refutou totalmente essas besteiras, mas chamou a atenção para fatores muito mais importantes, como a inconstitucionalidade do referendo, a real efetividade do desarmamento e suas consequências sobre quem já tem armas.

Legal foi conversar depois, pessoalmente, com o Magaldi e ouvir dele certas histórias engraçadas. Maria do Rosário já afirmou para ele que defende o desarmamento apenas por ser a posição do partido, enquanto Jussara Cony (um dinossauro do PCdoB) o acusou de racismo quando ele disse que "a proibição do comércio de armas vai ser ótima para o mercado negro".

Portanto, o porte de arma não é o cerne da questão. Aboli-lo ou não definitivamente não vai diminuir a criminalidade nem ajudar a diminuir. Marcos Rolim, um dos maiores apoiadores do desarmamento, concorda com isso.

3 Comentários:

Blogger João Carlos Disse...

É... O Rolim, além de tudo, deve ser cego. Como você já sabe, o Times de Londres desmente ele ao mostrar que o Reino Unido (notadamente a Escócia) tem um índice de crimes violentos comparáveis aos do Rio de Janeiro. Quem não tem trabuco, ataca com faca... E com a certeza de que quem está do outro lado não pode nem puxar um três-oitão para equilibrar a parada...

6:29 PM  
Anonymous Vitiaz Disse...

Ótimo texto, esse, aliás como de tradição por aqui.
Acho que vale a pena chamar atenção para o nível de desinformação da maioria das pessoas quanto ao referendo. Há muita gente achando que, se votar pelo não, a loja da esquina vai passar a vender armas. Outros (não poucos), ainda, pensam que o comércio de armas já é proibido e querem manter como está, votando pelo desarmamento.
Fora a pesada campanha organizada pela mídia em cima do falho argumento da diminuição da violência, dispensado pelo próprio Rolim.
Pesada companha da mídia quanto a votar... tenho a impressão que já ouvi falar disso, não me lembro onde...

8:04 PM  
Anonymous Anônimo Disse...

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9:54 AM  

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