segunda-feira, setembro 19, 2005

Günther von Kluge

Já tinha feito um texto sobre Kluge. Esse é uma versão ampliada e mais completa sobre o personagem. Espero que esteja bom.




Günther von Kluge foi um importante general alemão da Segunda Guerra Mundial e um grande teórico e incentivador da Blitzkrieg.

Nascido em Poznam, Alemanha, em 30 de outubro de 1882, ele ingressou no exército Alemão e lutou durante a Primeira Guerra Mundial como tenente de uma unidade de artilharia.

No período entre guerras, eles ascendeu rapidamente na hierarquia militar, alcançando o posto de coronel em 1930, major-general em 1933 e tenente-general no ano seguinte. Após 1936, Kluge recebeu o comando de um Grupo de Exércitos. Seu interesse por guerra móvel logo aproximou-o de Hitler, o que contribuiu mais na sua ascenção militar.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, ele foi reconvocado e assumiu o 4º Exército na invasão da Polônia. Em 1940, sob o comando desse mesmo exército, tomou parte na invasão da França e Rússia. Na invasão dessa última - já com o posto de marechal-de-campo obtido em junho de 1940 com 12 doze outros generais - von Kluge tornou-se, em 18 de dezembro, comandante do grupo de exércitos do centro com a destituição de von Bock, após a malograda ofensiva contra Moscou.

Após assumir o comando na Rússia, ele teve com Hitler ásperas discussões a respeito das exigências feitas ao Grupo do Centro e ás condições sob as quais ele estava submetido. Hitler esperava que Kluge fosse capaz de conquistar Moscou com exércitos congelados sem qualquer condições de se locomover.

Em 27 de outubro de 1943, von Kluge sofreu um grave acidente de carro. Seriamente ferido, somente pôde voltar à ativa em julho de 1944. No retorno, assumiu o comando das forças alemãs no oeste no lugar do marechal-de-campo Gerd von Rundstedt.

Embora não estivesse envolvido no complô contra Hitler, ocorrido em 1944, von Kluge tornou-se suspeito imediato. Ele tinha contatos com os conspiradores desde que tinha assumido o comando do Grupo de Exércitos do Centro, na Rússa, e, á despeito dos freqüentes assédios de Beck, Tresckow e Witzleben, sempre se esquivou do tomar participação ativa nos golpes.

Kluge tinha esse problema pois havia prestado juramento militar ao Führer e nutria por esse grande admiração, devoção e respeito.

Por outro lado, pesava na sua consciência o fato de perceber que a guerra já estava perdida e que, á despeito de todos os acontecimentos, Hitler não pretendia solicitar um armistício.

Dessa maneira, a existência de Hitler era um impedimento a Kluge para solicitar um armistício ao general Eisenhower. No início da conspiração, ele quase o fez, quando recebeu as notícias do atentado e uma ordem geral de Witzleben, como comandante da Wehrmacht - ordem essa que muito o surpreendeu.

Embora relutasse em participar, Kluge aliou seu destino aos conspiradores. Horas depois, no entanto, recuou rapidamente quando recebeu a notícia de que Hitler não estava morto. Sua medida seguinte foi sustar as ordens já tomadas pelos generais conspiradores em Paris, como a prisão de 2000 membros da SS/SD/Gestapo.

A decisão de Kluge foi o principal motivo pelo qual o golpe de 20 de julho não deu certo em Paris. Seu chefe do Estado-Maior, Blumentritt, e tantos outros militares no Ocidente, estavam inclinados a participar, mas precisavam da ordem e da autoridade de Kluge, que, junto com Rommel, poderiam influenciar o desenrolar do golpe na França.

Com o fracasso do golpe, von Kluge tornou-se suspeito e as investigações feitas pela polícia de Himmler inexoravelmente acabaram envolvendo o nome do marechal-de-campo. A primeira delas veio através do coronel Hofacker, que, submetido á tortura, acabou revelando nomes como o de Kluge, Rommel e Stuelpnagel.

A suspeita sobre o marechal-de-campo foi encarada por Hitler de forma pessoal. Ao fazer 60 anos, em 1942, Kluge havia recebido do Führer um cheque de 250.000 marcos (100.000 dólares á taxa oficial de câmbio) e uma licença especial para gastar metade desse montante em melhoramentos na sua propriedade particular. O insulto pessoal à honra de um militar não foi problema para Kluge, que aceitou o presente sem maiores constrangimentos.

A despeito do ressentimento pessoal de Hitler e da desconfiança que sobre ele pairava, Kluge continuou como Comandante-em-Chefe no Oeste. A situação militar da região não era nada agradável. Em 30 de julho, notificou o quartel-general de Hitler: "Toda a frente ocidental foi rompida...O flanco esquerdo desmoronou-se".

Hitler, então, já planejava uma contra-ofensiva no Oeste. Ordenou um ataque ás posições aliadas, que ficaria conhecida como a Operação Lüttich. Os resultados dessa operação foram desastrosos e só pioraram as relações com Hitler. A operação estava fadada ao fracasso devido à insistência em se manterem posições insustentáveis (linha Caen-Avranches), em atacar sem condições favoráveis(Operação Lüttich) e de não recuar(bolsão ao redor de Falaise), e não propriamente da qualidade de comando de von Kluge. Quando ficou evidente que os objetivos da operação não seriam alcançados, Hitler ordenou o recuo das tropas e a destituição de Kluge do seu posto.

Com o envio imediato de Model para substituí-lo e a convocação de Hitler a voltar para a Alemanha em 16 de agosto, Kluge pressentiu que seria punido pelo líder nazista.

Antes de dar fim à própria vida, no entanto, redigiu a seguinte carta destinada ao Führer: "Quando receberdes estas linhas não existirei mais. [...] A vida nada mais significa para mim. [...] Rommel e eu [...] previmos o presente desenrolar dos acontecimentos. Não nos deram ouvidos.

Não sei se o marechal-de-campo Model, que se distinguiu em todas as esferas, dominará a situação. [...] Caso isso não se dê e vossas armas, ás quais dispensais tão grande carinho, não forem coroadas de êxito, tomai então, meu Führer, a decisão de por paradeiro a esta guerra. O povo alemão tem suportado tão incomensurável sofrimento, que é tempo de por um ponto final a esse horror.

Sempre admirei vossa nobreza... Se o destino é mais forte que vossa vontade e vosso gênio, assim também é a Providência. [...] Mostrai-vos agora, também, bastante magnânimo para terminar uma luta sem esperanças, quando necessário. [...]


Hitler leu a carta em silêncio e - segundo declarou Jodl em Nuremberg - entregou-lhe sem comentários. Dias depois, em uma conferência militar, em 31 de agosto de 1944, Hitler, comentou a respeito de von Kluge: "Eu, pessoalmente, o promovi duas vezes, dei-lhe as mais altas condecorações, uma grande propriedade...e uma grande quantia suplementar a seu soldo de marechal-de-campo..."

Apesar de toda a colaboração e subserviência, Kluge não foi poupado acabou tendo o mesmo fim que os demais conspiradores.

Cometeu suicídio, perto de Metz, em 19 de agosto, ingerindo cianureto.

Terminava de maneira deprimente a carreira de um brilhante marechal-de-campo.




Fontes:
* Ascenção e Queda do Terceiro Reich (4 vol.). Willian L. Shirer. Rio de Janeiro, 1964. Editora Civilização Brasileira S.A.
* O Dia-D - Ponta de lança da Invasão. R.W. Thompson. 1974. Editora Renes.
* Normandia - Do Dia-D á derrocada. David Mason. 1974. Editora Renes
* Conspirancy Center
* Encyclopædia Britannica
* Axis History Fórum
* Wikipedia

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home