quinta-feira, novembro 17, 2005

A Guerra de Um Homem contra Hitler

Ao longo da década de 30, diversos artistas do mundo todo e principalmente da Alemanha manifestaram seu repúdio a Hitler e ao nazismo através das artes. A forma de expressão mais comum da época foram as tiras de jornais ou ilustrações de revistas.

Dentre o grupo todo, o que mais se destaca e merece de forma inconteste o título de inimigo número um de Hitler é John Heartfield. Através de pinturas, ilustrações, caricturas e principalmente fotomontagens, Heartfield atacou impunemente Hitler, seus asseclas e o nazismo durante todo periodo de existência do III Reich.

Nascido em Berlin, em 19 de junho de 1891, Heartfield teve uma infância um pouco conturbada, basicamente por causa dos problemas políticos enfrentados pelos seus pais, o escritor socialista Franz Herzfeld e a ativista política Alice née Stolzenburg. Os envolvimentos políticos de Franz e Alice obrigaram-os a migrar para a Suíça, deixando Heartfield e seus três irmãos com um tio.


Desde cedo Heartfield demonstrou um dom para as artes. Desde então, seu estudo foi direcionado para essa área. Em 1908, ele mudou-se para Munique para estudar na Köngliche-Bayerische Kunstgewerbeschule (Escola Real de Artes Bávara), onde conheceu Albert Weisberger e Ludwig Hohlwein, duas pessoas que influenciaram a obra de Heartfield.

Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu, Heartfield morava em Berlin. Serviu como soldado até 1915, quando fingiu um colapso nervoso e conseguiu baixa do exército. Seu irmão, Weiland, viria também a ser desligado do exército por insubordinação. Livres do serviço militar, os irmãos passaram a viver em Berlim, onde passaram a manter uma amizade maior.

Em 1916, uma forte campanha anti-britânica tomava conta da Alemanha, onde lemas como "Deus ataque a Inglaterra" e "Que Deus puna a Inglaterra" eram usados. Em protesto á isso, Heartfield mudou seu nome de nascença, juntamente com diversos amigos seus. De Helmut Herzfeld - seu nome de nascença - ele mudou para Jonh Heartfield, nome pelom qual ficou conhecido.

Terminada a guerra, Heartfield passou a ter um engajamento político maior. Juntou-se ao Clube Dada de Berlim e ao Partido Comunista Alemão (KPD), apoiou um protesto geral contra a morte de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburg que lhe custou o emprego no Serviço Militar de Filmes Educacionais e teve seu jornal banido pelo governo local, indo, então, juntar-se a seu irmão e a George Grosz no Die Plaite - famosa revista política.

Ao longo da década de 20, o envolvimento político de Heartfield só viria a aumentar, normalmente tomando parte em diversas publicações comunistas, fazendo uso "da fotografia como arma", segundo dizia. De 1931 a 32, Heartfield permaneceu na Rússia, onde ajudou a estruturar diversos jornais comunistas.

Com a ascenção de Hitler ao pode em janeiro de 1933, Heartfield se viu obrigado a sair da Alemanha, indo parar na Tchecoeslováquia. De 1933 à 38, participou ativamente de dois encontros anuais de caricturas, em Manes, onde ele se esforçou em especial em atacar Hitler e fazer de tudo para abalar as relações diplomáticas existentes entre a Alemanha e a Tchecoeslováquia, o que, de fato, ele conseguiu.

Após a ocupação dos Sudetos, temendo a ocupação total dos nazistas, teve de sair emigrar novamente, dessa vez indo achar abrigo na Inglaterra. Lá chagando, publicou algumas de suas melhores obras na exposição intitulada A Guerra de Um Homem contra Hitler. Com o recrudescimento das hostilidades na França e o envolvimento final do Reino Unido, Heartfield foi internado em um campo de imigrantes por ter ascendência germânica. Em Lutton, Huyton, and York - os campos onde permaneceu - sua saúde declinou drásticamente e a partir de então seu quadro só viria piorar.

Em 1948, ainda vivendo na Ingleterra, Heartfield recebeu o convite da Universidade de Humbolt, na Alemanha Oriental, para ser professor. Com a ajuda de seu irmão, Wieland e seu antigo amigo Berrolt Brecht, ele se mudou para Leipzig. Anos depois, começaria, através da inciativa de Stefan Heym, o reconhecimento oficial da Alemanha com as obras de Heartfield e sua trajetória de luta contra o nacional-socialismo. Em 1956, foi eleito membro da Academia Alemã de Artes e aos poucos sua obra foi sendo retomada. Em 1957, ocorreu a Heartfield und die Künst der Fotomontage(Heartfield e a Arte da Fotomontagem na Akademie, em Berlin, onde os melhores trabalhos foram expostos.

A despeito do seu estado de saúde regular, Heartfield continuou na ativa, indo, inclusive, viajar para a China. Em 1964, após anos de espera, seu nome adotado em protesto na Primeira Guerra foi reconhecido. Viria a falecer em 1968, com 77 anos de idade.

Obras de John Heartfield (para associar o título, posicionar o cursor do mouse em cima)

The Cross was not Heavy Enough
Adolf, the Superman: Swallows Gold and Spouts Junk

Goering, The Executioner of the Third Reich

Don't be Frieghtened, He's a Vegatarian

Heil, Hitler!

The Murderer's Crucifix

Millions Stand Behind Me

Blood and Iron

War

The Thousand Year Reich

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