domingo, novembro 06, 2005

A Hierarquia do Alfabeto o outras nulidades

Ao pensar em escrever esse pequenito(era para ser, cresceu demais) texto, eu tinha apenas um objetivo em mente, que era versar sobre a ordem - por vezes injusta - das letras dispostas no alfabeto. Observando o uso das letras, bem como a frequência com que elas aparecem a quem escreve, sera interessante propor uma mudança. Esse assunto, de extrema importância para a vida nacional, certamente seria aceito com os mais calorosos vivas no Congresso Brasileiro, onde, na verdade, os políticos já discutem há anos o tema usualmente falando "Questão de Ordem, Sr. Presidente".

No entanto, ao imaginar o início desse texto, espontaneamente me veio à mente introduzir a primeira linha com um "Cá estava eu a pensar...". De fato, não sei por que acabei pesnando nisso, nem sei por que sempre que queremos divagar, usamos expressões dos nossos colegas portugueses. Não deixa de ser uma posição cínica, pois um lado gargalhamos com piadas dos lusos, e por outro, copiamos suas expressões para dar alguma seriedade ou passar a idéia de divagar com erudição nas letras, exatamente como eu queria fazer há pouco.

Aliás, divagar parece ter se tornado uma moda, um charme, ou mesmo um vício em começar um texto se propondo a falar de algo importante e ir-se perdendo aos poucos, de leve, para então chegar ao clímax do texto, que teria como assunto principal, simplesmente nada(de importante). Para quem escreve, divagar é otimo, afinal, divagando como estou agora, não preciso falar nada de importante mesmo.

Enfim, voltando ao assunto da ordem das letras, considero-a injusta, ao menos para o idioma português. O exemplo mais gritante é a posição do K no que se poderia considerar a elite das letras. Ao contrário dos seus nobres pares que lhe antecedem, o K só tem algumas funções de pouca importância, como servir de variável K em equações matemáticas onde X e Y já estão ocupados, ser usado em keynesianismo ou começar algum infeliz nome próprio, com a exceção de Kátia, que é legal. Pode-se argumentar que, com o furacão Katrina, o K tenha ganho importância, mas essa fama é tão passageira quando o furacão em si.

Seguindo minha catilinária, agora me volto contra o J, par indefectível do K. Com certeza deve haver alguma ligação entre esses dois intrusos, talvez uma clara ligação de nepotismo: o K, aspirante da política alfabética, emprega o J, seu poderosíssimo amigo(afinal, Jesus lhe dá um belo cacife), próximo a ele, para se passarem de normais em meio à elite das letras para cada vez mais se diferenciar do rebotalho que habita as últimas posições.

O ataque das letras mal intencionadas é barrado no G(de Guilherme, evidente), onde o H, outro safado, ficou parado. Devo, no entanto, elogiar certos posicionamentos, como o U, que além de soar mal educado, usualmente acaba sendo afonético. As posições do L, M, N, O e P, também, merecem muitos elogios, pois não estão nem muito na classe alta, nem pertencentes ao nível inferior, sendo, portanto, a classe média do alfabeto, normalmente taxada com muitos impostos, como pagar taxa de perna extra ao N para preceder o P.

Está aí, portanto, um importantíssimo debate, como revisar a ordem das letras, sempre divagando sobre, ora misturando assuntos, ora levantando acusações levianas contra as pobres letras. Ou seja, debater tudo, menos o assunto em questão...que é qual mesmo? Ah, sim, os portugueses. Por falar neles, cá estava eu a pensar...

1 Comentários:

Blogger João Carlos Disse...

O preconceito mal disfarçado de V.Exª. fica patente quando, aleivosamente, tenta atribuir "culpas por associação" denegrindo uma consoante ilibada, apenas por sua proximidade ordinal com uma outra consoante exótica.
Falo da consoante "J" que introduz os nomes das duas maiores pessoas já registradas na história. Suas insinuações malévolas são destruídas, em seu nascedouro, pela simples constatação de que, até na ordem alfabética, o "J" está acima disto.
Sua (muito compreensível) preferência pelo "G", que sua pretensa argumentação nem sequer tenta esconder os interesses pessoais, não passa de mais uma manifestação daqueles que, em segredo e à sorrelfa, tentam, há muito tempo (mas não conseguirão, enquanto houver cidadãos vigilantes!) substituir o majestoso "J", subordinando-o à uma grafia aleivosa, pelo "G" com cedilha (à semelhança dos imundos revoluciuonários franceses que, em sua ânsia de destruir a Santidade, inventaram de grafar um lúgubre "Ç" no início de palavras).
"No passarán", senhores, essas tentativas de subversão alfabética!...
Dixit!

7:49 AM  

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