sexta-feira, novembro 04, 2005

Luz às trevas

Bueno, aqui vou contestar algumas tolices ditas por fóruns afora por pessoas que adoram tirar conclusões precipitadas (ou tendenciosas).

Em negrito estão as colocações equivocadas. Depois vem a minha parte.

Polônia: depois que mais 30.000 civis alemães foram vítimas de perseguições e de centenas de violações de fronteira por parte dos poloneses e diante do impasse do corredor polonês além da informação de que o exército polonês pretendia invadir Berlin com sua cavalaria (?!) Hitler atacou aquele país, dando início à II GM. A isso, diz-se que Hitler INVADIU a Polônia.

Não há nenhum trabalho ou estudo históricamente reconhecido que aponte evidências documentais suficientemente relevantes para se chegar a conclusão de que haviam perseguições sistemáticas sendo tocadas contra cidadães alemães.

Além disso, a área reclamada pelos alemães era jurisdição da ONu e a reclamação para tal deveria ser feita.

No entanto, os protestos alemães não assumiram nenhum caráter formal com força diplomática(nem contra a ONU nem contra a Polônia) e só tomaram força anos depois, quando queria se achar uma justificativa plausível para a invasão da Polônia.

A questão é que Hitler queria invadir a Polônia e precisava de uma desculpa. Tanto é que a causa oficial foi um "pronunciamento" polônes contra a Alemanha, que foi feito, na verdade, pelos próprios alemães.

As ameaças de os Polôneses invadirem Berlim constavam em jornais - normalmente em tiras - e não representavam uma posição(nem disposição) oficial(ou não-oficial) do governo polones. Pelo contrário, a mobilização as forças polonesas se deu a partir da informação de que a própria Alemanha concentrava nas suas fronteiras sua Força Armada.

A própria ordem de invadir foi dada e horas depois cancelada várias vezes, e em diversas situações ocorreu de muitas tropas de vanguarda não terem sido informadas do cancelamento e seguir em diante, entrando em combate com as forças poloneses, alertando-as.

Portanto, a Alemanha INVADIU sim a Polônia sem motivo justo algum.

Bélgica: após a declaração de guerra dos Franceses e dos Britânicos em conseqüência do ataque à Polônia (os três países tinham um pacto de cooperação militar que NUNCA foi cumprido), a Alemanha, tendo a Linha Maginot pela frente, simplesmente a contornou pela Bélgica e pegou os franceses com as calças na mão. A isso, diz-se que Hitler INVADIU a Bélgica.

Nada menos que o Grupo de Exércitos B(von Bock) inteiro entrou na Bélgica. É o equivalente(em média) a 500.000 soldados e uns 1500 AFVs.

URSS: chegamos ao ponto ! Depois de tomar todas as precauções com o ocidente, Hitler finalmente pode se concentrar na URSS, que já tinha invadido a Polônia e tinha mais de 100 divisões concentradas na fronteira, além de outras 400 que os russos chegaram a ter. Ambos os países tinham um pacto de não-agressão (mais ou menos um pacto entre a raposa e a galinha), e Hitler, sabendo dessa guerra longamente prevista desde os tempos de Nietzsche, atacou primeiro, pra forçar que as batalhas fossem travadas nas estepes e lodaçais da URSS, em vez das largas e pavimentadas ruas da Alemanha, que seria o paraíso pras divisões motorizadas inimigas. A isso, diz-se que Hitler INVADIU a URSS...

A URSS invadiu a Polônia com a anuência alemã, combinada anteriormente. A URSS não teria condições, não tão cedo, de invadir a Alemanha. Mesmo assim, nada justifica o ataque, rompendo um acordo escrito e assinado.


Da mesma forma que Israel atacou o Egito pra não ser atacado, outros já fizeram isso, MAS, Israel foi "inteligente" e a Alemanha foi "imperialista" :roll:

As situações são totalmente diferentes. As motivações são totalmente diferentes. O contexto é totalmente diferente.

Querer comparar as duas situações é querer direcionar o raciocínio para uma lógica equivocada, a de que as invasões alemãs foram justas da mesma forma que as de Israel foram.

2 Comentários:

Blogger João Carlos Disse...

PQP! Ressucitaram Goebbels??!!
Guilherme, não adianta contra-argumentar com quem ainda repete esse tipo de falácia... Fatos não são argumentos válidos para imbecís delirantes.

Uma correçãozinha que não muda em nada a validade da argumentação: no lugar onde se lê "ONU", leia-se "Liga das Nações".

E, by the way, usar Israel como exemplo não é boa política. Embora o exemplo apresentado guarde semelhança com a alegada situação da Alemanha Nazista (o que não é verdade), Israel tem-se notabilizado como um estado que não tem o mínimo respeito pelas convenções internacionais e, ultimamente, vem praticando abertamente o "terrorismo de estado", nos melhores modos da Alemanha Nazista.

9:47 AM  
Blogger João Carlos Disse...

Só para reforçar a tolice dos argumentos contestados, menciona-se que a Alemanha "contornou a Linha Maginot" e se protesta contra dizer que "Hitler invadiu a Bélgica". Não só invadiu a Bélgica, como aproveitou e invadiu a Holanda também. E antes tinha invadido a Dinamarca e a Noruega (será que não havia uma bússola que prestasse nos arsenais da Wermacht?).

Francamente, se você usar o Sol para "lançar luz sobre essas trevas", os autores desses argumentos continuarão a se abrigar nas sombras lançadas pela peneira de sua argumentação ôca.

10:01 AM  

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